A participação de profissionais de saúde pode qualificar a decisão sobre a incorporação do medicamento ao SUS, trazendo evidências científicas e experiências da prática clínicaMobilização terá duração de um mês e contará com o Dia D em 22 de agosto para atualizar a caderneta de vacinação
Está aberta a Consulta Pública nº 64/2026 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avalia a incorporação do sotatercepte, em adição à terapia de base, para o tratamento de adultos com hipertensão arterial pulmonar (HAP) nas classes funcionais III ou IV da Organização Mundial da Saúde (OMS), com risco de mortalidade intermediário a alto e em uso de terapia dupla, quando intolerantes às prostaciclinas, ou de terapia tripla. As contribuições podem ser enviadas até 17 de agosto de 2026.
A hipertensão arterial pulmonar é uma doença rara, crônica e progressiva, associada a elevada morbimortalidade e importante comprometimento da qualidade de vida. Nos estágios mais avançados, os pacientes apresentam limitações importantes para atividades cotidianas, maior risco de hospitalizações e evolução para insuficiência cardíaca direita.
O sotatercepte é uma terapia administrada por via subcutânea e está sendo avaliado como tratamento complementar ao esquema terapêutico já utilizado pelos pacientes. Seu mecanismo de ação atua em vias relacionadas ao remodelamento vascular pulmonar, buscando reduzir a progressão da doença.
Na análise das evidências disponíveis, a Conitec considerou um ensaio clínico envolvendo 172 participantes. Os resultados indicaram redução da ocorrência do desfecho composto de morte, transplante pulmonar ou hospitalização por piora da doença, benefício relacionado principalmente à diminuição das hospitalizações. Entretanto, o estudo foi interrompido precocemente, o que aumentou as incertezas sobre a magnitude dos benefícios, especialmente em relação ao impacto sobre a mortalidade.
Além das evidências clínicas, a avaliação contemplou aspectos econômicos. Diante das incertezas identificadas e do elevado impacto orçamentário estimado para o Sistema Único de Saúde (SUS), a recomendação inicial da Conitec foi pela não incorporação da tecnologia. Essa recomendação, contudo, não representa a decisão final. Todas as contribuições recebidas durante a consulta pública serão analisadas antes da deliberação definitiva.
A contribuição dos profissionais de saúde faz diferença
As consultas públicas são uma etapa essencial do processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), pois permitem complementar as evidências científicas com informações provenientes da prática assistencial.
Profissionais de saúde que atuam no cuidado de pessoas com hipertensão arterial pulmonar podem contribuir apresentando informações como:
experiência clínica com pacientes em diferentes estágios da doença;
desafios relacionados ao manejo terapêutico e às limitações das opções atualmente disponíveis;
dados sobre hospitalizações, progressão clínica e necessidade de escalonamento terapêutico;
informações sobre segurança, efetividade e perfil dos pacientes que potencialmente poderiam se beneficiar da tecnologia;
evidências científicas recentes, protocolos, registros ou estudos que possam subsidiar a tomada de decisão.
Contribuições fundamentadas, baseadas na experiência assistencial e em evidências científicas, fortalecem o processo de decisão da Conitec e contribuem para que a avaliação reflita, de forma mais abrangente, a realidade do cuidado prestado aos pacientes no SUS.
As contribuições podem ser enviadas até 17 de agosto de 2026, por meio do formulário oficial da Conitec.
Acesse a consulta pública:
https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/5172/
O Instituto Nacional de Ciências Farmacêuticas (INAFF) apoia e incentiva a divulgação de informações qualificadas sobre saúde no Brasil
