Notícias

Notícias

  • Início
  • Notícias
  • Brasil lança centro de pesquisa para reduzir dependência de insumos farmacêuticos importados

Brasil lança centro de pesquisa para reduzir dependência de insumos farmacêuticos importados

Com investimento de R$ 60 milhões, iniciativa aposta na biodiversidade brasileira para desenvolver novos insumos farmacêuticos ativos e fortalecer a soberania nacional na produção de medicamentos

O Brasil deu um passo importante na busca por maior autonomia na produção de medicamentos com o anúncio da criação do Centro de Competência em Insumos Farmacêuticos Ativos a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR). A iniciativa, anunciada na última sexta-feira (3/7), pretende identificar compostos presentes em plantas, animais e microrganismos brasileiros com potencial para originar novos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs).

O projeto receberá investimento de R$ 60 milhões, financiados pelo Ministério da Saúde e pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), e será instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).

A criação do centro responde a um dos principais desafios da cadeia farmacêutica nacional: a elevada dependência de matérias-primas importadas. Embora a maior parte dos medicamentos consumidos no país seja fabricada em território nacional, a produção depende, em grande medida, de IFAs provenientes do exterior. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), entre 90% e 95% dos IFAs utilizados pela indústria farmacêutica brasileira são importados.

Essa dependência representa uma vulnerabilidade estratégica para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a indústria nacional, especialmente em situações de crises sanitárias, interrupções logísticas ou oscilações cambiais, que podem comprometer o abastecimento de medicamentos essenciais e elevar seus custos.

A proposta do CC-IFABR é transformar compostos encontrados na biodiversidade brasileira em moléculas com potencial terapêutico e passíveis de proteção intelectual, permitindo que o conhecimento gerado seja licenciado, preferencialmente, para empresas instaladas no Brasil. A expectativa é estimular a inovação, fortalecer a indústria farmacêutica nacional e ampliar a capacidade do país de desenvolver tecnologias próprias.

Apesar do potencial estratégico da iniciativa, os resultados deverão ocorrer no médio e longo prazo. Até o momento, não foram divulgadas metas específicas para redução das importações de IFAs nem prazos para que os primeiros produtos resultantes das pesquisas cheguem ao mercado.

O que essa iniciativa representa para o acesso a medicamentos?

Do ponto de vista da assistência farmacêutica, investir em pesquisa e desenvolvimento de IFAs nacionais é uma estratégia importante para aumentar a segurança do abastecimento e reduzir a dependência de mercados externos. No entanto, transformar descobertas científicas em medicamentos disponíveis para a população exige um processo longo, que envolve pesquisa básica, desenvolvimento tecnológico, estudos pré-clínicos e clínicos, registro sanitário, capacidade industrial e políticas de incentivo à produção.

Assim, embora o lançamento do CC-IFABR represente um avanço relevante para a política de inovação em saúde, seus impactos sobre o acesso a medicamentos dependerão da continuidade dos investimentos, da articulação entre instituições de pesquisa e setor produtivo e da capacidade de converter conhecimento científico em produtos efetivamente incorporados ao sistema de saúde.

O Instituto Nacional de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (INAFF) apoia e incentiva a divulgação de informações qualificadas sobre saúde no Brasil.

Rolar para cima