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SUS incorpora nova combinação de medicamentos para tratamento da leishmaniose visceral em pacientes imunocomprometidos

Nova estratégia terapêutica combina anfotericina B lipossomal e miltefosina para pacientes com maior risco de falha no tratamento e recorrência da doença

Pacientes imunocomprometidos com leishmaniose visceral passarão a contar com uma nova opção terapêutica no Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTIE) publicou a decisão de incorporar a combinação de anfotericina B lipossomal e miltefosina para o tratamento desse grupo específico de pacientes.

Após a publicação da decisão, o Ministério da Saúde terá prazo de até 180 dias para disponibilizar a nova terapia na rede pública de saúde.

Uma doença grave e potencialmente fatal

A leishmaniose visceral é uma zoonose causada por parasitas do gênero Leishmania e transmitida pela picada do mosquito-palha infectado. Trata-se da forma mais grave da doença, caracterizada pelo comprometimento de diversos órgãos e evolução progressiva.

Sem tratamento, a leishmaniose visceral pode levar ao óbito em até 90% dos casos. Entre os principais sintomas estão febre prolongada, aumento do fígado e do baço, perda de peso, anemia, fraqueza e redução da força muscular.

Atualmente, o SUS oferece gratuitamente medicamentos como a anfotericina B e o antimoniato de meglumina, utilizados no tratamento da doença.

Por que a nova combinação é importante?

Pessoas imunocomprometidas, como pacientes transplantados, pessoas vivendo com HIV ou indivíduos em uso de medicamentos imunossupressores, apresentam maior dificuldade para eliminar o parasita, mesmo após o tratamento.

Nesses casos, o risco de falha terapêutica, recaídas e complicações é significativamente maior, já que o sucesso do tratamento depende não apenas da ação dos medicamentos, mas também da capacidade do sistema imunológico de controlar a infecção.

A combinação entre anfotericina B lipossomal e miltefosina busca justamente aumentar a eficácia do tratamento nesse grupo de maior vulnerabilidade, reduzindo a probabilidade de recorrência da doença e melhorando os desfechos clínicos.

O que muda para os pacientes?

A incorporação representa mais uma etapa do processo de atualização das tecnologias disponíveis no SUS, permitindo que pacientes com maior risco de complicações tenham acesso a uma estratégia terapêutica respaldada por evidências científicas.

Embora a nova combinação não substitua os tratamentos já disponíveis, ela amplia as opções para um público que frequentemente apresenta resposta insuficiente às terapias convencionais.

O INAFF acompanha os processos de avaliação e incorporação de tecnologias em saúde por compreender que decisões baseadas em evidências são fundamentais para garantir o acesso equitativo a tratamentos eficazes. No caso da leishmaniose visceral, a disponibilização de uma nova alternativa para pacientes imunocomprometidos representa um avanço na qualificação da assistência farmacêutica, especialmente para uma população com elevado risco de complicações e recorrência da doença.

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