Teste será destinado a homens e mulheres assintomáticos, entre 50 e 75 anos, e poderá ampliar o rastreamento para mais de 40 milhões de brasileiros
O Ministério da Saúde incluiu o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) na Tabela de Procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). O exame será destinado ao rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos.
A medida amplia as possibilidades de identificação precoce da doença e poderá beneficiar mais de 40 milhões de brasileiros que fazem parte da faixa etária indicada para o rastreamento.
O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no cólon ou no reto e está entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil. A identificação da doença em estágios iniciais aumenta as possibilidades de tratamento e de cura.
Como funciona o FIT?
Indolor e não invasivo, o Teste Imunoquímico Fecal é realizado a partir de uma amostra de fezes e permite identificar pequenas quantidades de sangue que não são visíveis a olho nu.
A presença de sangue oculto pode estar relacionada a diferentes alterações no trato gastrointestinal, incluindo pólipos e câncer colorretal. Por isso, um resultado positivo no FIT não confirma, sozinho, o diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade de investigação complementar.
No SUS, o exame será oferecido na modalidade ambulatorial e classificado como procedimento da Atenção Primária à Saúde. Para a população indicada, a recomendação é que o rastreamento seja realizado a cada dois anos.
Entre as vantagens do FIT estão:
não exige preparo intestinal;
dispensa dieta restritiva antes da coleta;
necessita de apenas uma amostra;
é menos invasivo;
pode favorecer maior adesão ao rastreamento.
Quando começa?
A medida foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de agosto de 2026 e entrou em vigor na mesma data. O registro do novo procedimento no SUS terá início em setembro de 2026.
A inclusão do teste na tabela do SUS é uma etapa importante para organizar e ampliar o rastreamento do câncer colorretal no país, especialmente por permitir que a identificação de possíveis alterações comece na Atenção Primária.
Ampliar o acesso ao rastreamento significa criar oportunidades para identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas, quando as possibilidades de intervenção podem ser maiores.
A incorporação de uma tecnologia, entretanto, precisa ser acompanhada de organização da rede assistencial, orientação adequada à população e garantia de continuidade do cuidado. Diante de um resultado positivo no FIT, é fundamental que o paciente tenha acesso oportuno aos exames complementares necessários para investigação e, quando indicado, ao diagnóstico e ao tratamento.
Mais do que disponibilizar o exame, o desafio é garantir uma linha de cuidado estruturada, capaz de transformar o rastreamento em diagnóstico precoce e melhores resultados em saúde.
O Instituto Nacional de Ciências Farmacêuticas (INAFF) apoia e incentiva a divulgação de informações qualificadas sobre saúde no Brasil
